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FÁTIMA NASCIMENTO

Formação em Jornalismo e Direito. Pós-graduada em Direito do Trabalho e Legislação Social e Jornalismo Contemporâneo. Soma experiências em rádio, jornal, televisão, assessoria e webjornalismo. Hoje em dia exercita a comunicação social em fotografias, crônicas semanais e neste blog, uma vez que dedica grande parte de seu tempo ao Judiciário.
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04/01/2009
20:24
Carona
No terceiro dia de 2009 vi parte da aventura de jipeiros no V Jeep Cross Off Board. O evento aconteceu no Balneário de Atafona, em São João da Barra/RJ. Dei alguns "cliques". Veja abaixo:


Fátima Nascimento
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26/12/2008
19:29
CONTO
Força do desejo
By Fátima Nascimento
O dia amanheceu azul. Na véspera olhara para o céu e ao ver tantas estrelas imaginou que o dia seguinte seria de céu limpo. Mas não que para ele fizesse alguma diferença se o tempo fosse de chuva ou não. Passaria o dia estudando, trabalhando e ... pensando.
Tinha decisões a tomar e sempre que se dedicava a resolver tais problemas doía-lhe a cabeça. Para um homem voltado à razão, pensar a emoção era exaustivo. Podia escolher o caminho mais fácil – dizer não à mudança – ou se embrenhar no que parecia mais difícil, mas cujas chances de satisfação eram bem maiores.
Dizia pra ele mesmo que não tinha medo, que “mudanças” não o assustavam, mas relutava em trilhar a direção apontada por um sentimento que acelerava seu coração e lhe dava uma doce euforia.
Desejava seguir o caminho do sentimento, mas se negava a caminhar nele. Não se dera conta, ainda, que a angústia crescia à medida que ia contra o seu desejo. Se andasse a favor do que sentia, as soluções apareceriam, certamente.
Quando a noite chegou intensa de escuridão, escreveu uma carta. Era pra ser uma despedida. Disse tantas coisas que não queria e que sabia não conseguiria falar se contemplasse o olhar e sorriso dela. Ele se sentia tão inteiro ao lado da mulher que dizia amar que ao partir deixava de estar completo. Mesmo assim enviou-lhe a correspondência.
A carta chegou no dia seguinte. Ela leu cada linha. A natureza, solidária ao pranto de seu coração, chorava lá fora. Doía saber que o que ele dissera era o contrário do que ele gostaria de ter dito. Ela sabia que uma parte dele estaria incompleta, talvez pra sempre. E uma parte dela, também.
O dia seguinte poderá chegar ensolarado. Sol lá fora e dentro deles. Afinal, o escrito na carta foi dito sem desejar.
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O blog VERBO SOLTO deseja que o ANO DE 2009 seja ensolarado para seus leitores. E ainda espera dar mais a "palavra" por aqui... Em 2008 praticamente limitei-me a colocar meus contos e crônicas que foram publicados na imprensa.
Grande abraço e FELIZ ANO NOVO!!!
Fátima Nascimento
Fátima Nascimento
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24/12/2008
21:13
É Natal! Jesus nasceu pra todos

Tenho um colega ateu. Na antevéspera do Natal eu me despedi dele, dizendo: "Que o milagre do Natal aconteça em sua vida". Na vida de todos nós, na verdade. Precisamos MUITO da proteção e misericórdia de Deus em nosso dia a dia.
Só Ele pra me sustentar, especialmente nos momentos de angústia em que a vontade é de desaparecer da face da Terra.
Tenho muito a agradecer e agradeço sempre: Obrigada, meu Pai!
Minha vida em Tuas mãos... Amém!
Fátima Nascimento
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15/12/2008
08:49
Desabafos de Dezembro
By Fátima Nascimento
Meu nome é “Dezembro”. Sou caçula de doze irmãos. Muita gente espera ansiosa pela minha chegada. Mas há quem não me queira. Na verdade pouco importa que gostem ou não; todos os anos eu venho. Quando eu vou embora levo um ano comigo para que outro chegue e meus irmãos renasçam até que eu volte mais uma vez.
Embora seja mais novo, pois sou o último a nascer, tudo o que acontece na passagem de meus irmãos janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro repercute em mim. E me sinto meio que sem vida própria.
Faço uma confissão: no mês que eu chego são tantas lembranças de catástrofes dos últimos onze meses, além de preocupações com presentes, festas e dívidas, que o acontecimento mais marcante comemorado quando estou aqui, o nascimento de Jesus, fica em segundo ou terceiro planos.
Já quis não chegar mais. Concluí que só pioraria as coisas. Meu irmão novembro, que até hoje não entende porque não é o nono a nascer, já se acostumou com os comentários surpresos de que minha chegada está próxima. Mas quando chego cada dia parece um tormento tal o susto que provoco à medida que me vou indo.
Devo ter sido contaminado pelo estresse e impaciência, daí ter reclamado tanto. Mas sempre que volto tenho a esperança de que na próxima vez será diferente. E isso eu também atribuo às pessoas esperançosas que transitam em mim.
Não faço pirraça e depois de trinta e um dias vou embora e dou passagem para um novo ano. Continuarei vindo e partindo até quando o Pai do Universo permitir.
Fátima Nascimento
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06/12/2008
21:17
Mensageiro da poesia
Fátima Nascimento
Quando entrei na sala de minha casa, vi nela um passarinho. Será que entrou atraído pelo verde que está nas paredes ou porque sabia que seria bem-vindo? Meus olhos reluziram e um sorriso acendeu em meus lábios. Não pude voar com ele, pois nem asas tenho. Exceto, e me permito tê-las, as da imaginação.
Foi ela que me fez ter um instante de delírio e imaginar que o poeta Antônio Roberto Fernandes, sepultado algumas horas mais tarde, teria pedido ao passarinho que viesse me dar seu adeus. Um pássaro livre que “escolhe” entrar em nossa casa não pode representar outra coisa que não seja poesia!
O meu convívio com Antônio Roberto Fernandes foi pequeno, mas o bastante para admirá-lo. Lembro de sua candura explicando para uma criança as particularidades de uma trova, incentivando que escrevesse os versos. Depois lapidou o texto da menina, dividiu seu tempo e conhecimento. Com uma trova que escrevi, fez a mesma coisa. Em meu caderno está sua letra, a lembrança de seu cuidado.
“Suas crônicas têm poesia”, disse pra mim certa vez. Ele ensinava que poesia não é o que se fala, mas como se fala. Antônio Roberto não poderá mais ler o que me atrevo a escrever. Perdi um leitor sensível e generoso. Deixamos de ter a presença física dele, mas a semente que deixou perdurará.
O poeta se foi,
ficou sua poesia.
O homem se foi,
ficou seu exemplo.
O filho e irmão se foram,
ficou a lembrança de seu cuidado.
Foi-se Antônio Roberto,
ficou a sempre saudade.
O passarinho deu o recado e na batida das asas aplaudiu a poesia e o poeta.
(Escrito em 22/11/08; publicado no Jornal Monitor Campista, 2º Caderno, em 25.11.08)
Fátima Nascimento
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01/12/2008
22:24
Espelho, espelho meu...
By Fátima Nascimento
O espelho não diz sempre o que precisamos ouvir ou mostra o que precisamos enxergar. Audição e visão podem estar corrompidas e não conseguimos ouvir ou ver além do que permitimos. Temos receio do que ele possa refletir de verdadeiro sobre nós.
Espelho, espelho meu, existe alguém mais tolo do que eu? Creio que todos nós temos momentos de tolice, mas há ocasiões em que há uma exacerbação dela. Às vezes me considero ingênua demais. Noutras horas mostro-me insensível e com nenhuma paciência para tolices alheias. Também acontece de se dar suma importância a algo que é pequeno e supomos que há uma “catástrofe” em nossa vida. O tempo... Só mesmo ele para aquietar corações aflitos e afoitos.
Meu espelho reflete a minha imagem. Geralmente estou satisfeita com o que vejo externamente, mas me preocupa o que não enxergo a olho nu: o meu interior, que nada tem a ver com o estado dos órgãos. Refiro-me à emoção, ao sentimento, às reações psicológicas a novas situações ou se fico omissa e paralisada diante das novidades.
Quando escrevo coisas assim, que parecem sem sentido, eu penso que existe uma criança dentro de mim que brinca de esconder e não me deixa crescer. Ou será que são exatamente os freqüentes questionamentos desta criança, suas insatisfações e inquietações que me fazem avançar sem perder minha essência?
Espelho, espelho meu, qual pergunta devo me fazer para que possa avançar sem que o espelho se quebre e eu me machuque? O que meus olhos insistem em não ver? Qual resposta quer ficar escondida aos cuidados da criança que me habita?
As respostas devem chegar no tempo certo para que outras indagações tomem seu lugar. Tenho pra mim que sou criança grande que teme adultecer.
Jornal Monitor Campista, 2º Caderno, 11/11/2008
Fátima Nascimento
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07/11/2008
13:39
Tempo de acreditar e fazer
By Fátima Nascimento
"O tempo é sempre pouco quando nosso amor se encontra. Temos que aumentar o tempo ou encurtar o amor?". A afirmação seguida da pergunta foi feita por Lóri a Leopoldo, que considerava original a forma poética como ela se expressava.
“Aumentar o tempo”, disse Leopoldo. Lóri gostou da resposta, mas sabia que por enquanto não passava de uma frase. Desejava a prática do que era verbalizado por Leopoldo. Tinha sede de palavras, mas não lhe servia qualquer uma. Gostava das que se revelavam concretamente através de ações.
Emoção nos gestos, no olhar e na voz de seus dedos quando escrevia os pensamentos que vinham em sua cabeça, assim era Lóri. Mistura de poesia e sangue; hematopoiese.
Entre uma palavra e outra no papel confidente, buscava respostas e se procurava e se perdia. Então reconhecia que o papel guardava segredos que até ela desconhecia. Nem tudo era revelado. Nem tudo era claro. Afinal, Lóri não tinha todas as respostas que desejava ou talvez temesse uma resposta que a desagradasse.
“A vida começa do outro lado do desespero”, enfatizava Lóri, repetindo o pensamento de Sartre, filósofo francês. Leopoldo e Lóri conheceram-se numa manhã de primavera do ano de 1960. Uma história de amor que se pensa possível apenas nos cinemas, mas que se tornou real.
Eles se encheram de coragem e atravessaram a porta. Um amor prisioneiro do medo que Lóri sonhou livre e possível. E que se concretizou. Uma lição que devemos adotar num tempo em que se dá pouca importância ao sentimento e à força das palavras.
Fátima Nascimento
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28/10/2008
20:54
Perguntas na bagagem
By Fátima Nascimento
Ano novo se aproximando... Alguns já fazem a tradicional pergunta: “Quais são seus planos para o ano que vem?”. Tenho alguns em mente, mas estou tranqüila quanto a isso. E na verdade há situações que ano a ano não mudam: despesas com escola, material escolar, IPTU e IPVA, por exemplo. Nada contra criar metas. Objetivos claros ajudam a aproveitar melhor o tempo e “encurtar” o caminho. Sabiamente disse o poeta Carlos Drummond de Andrade que “é dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre”.
Não precisamos de outro calendário para que uma mudança aconteça. Nem tudo pode esperar. Há mudanças que são urgentes ou necessárias imediatamente sob pena de sermos carrascos de nós mesmos, vilões de nossa vida. O pontapé pode ser dado a qualquer momento. Depois é ter sabedoria para administrar o que virá na carona de nossas atitudes.
Para os estudantes um novo ano representa uma nova série escolar, isto quando não repetem o ano, claro. Mas os que já passaram da fase de escola (ou nunca tiveram isso, infelizmente) não têm sequer esta recompensa.
É preciso batalhar para mudar o que não nos agrada, o que incomoda há tempo. Coragem e ousadia não podem ficar guardadas. Temos que tirá-las do cabide e vesti-las todo o tempo e todos os anos. Às vezes a gente se esquece que elas existem e ficam no armário de nossos desejos. Mas sem uso nada repercutem de positivo.
Um dos piores sentimentos pra mim é o do medo. Ele pode causar uma inércia incrível. Pode ser também uma forma de defesa. Há quem prefira não arriscar a ter uma frustração. E segue na mesmice.
A frase de Spencer Johnson que está no livro “Quem mexeu no meu queijo?” não sai de minha cabeça. Ele pergunta: “O que você faria se não tivesse medo?”. Esta é uma indagação que convido você a adotar no seu dia, seja de qual ano for. Afinal, devemos assumir a condição de autores de nossa história.
Fátima Nascimento
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23/10/2008
20:19
Anestesia emocional
By Fátima Nascimento
Durante a última semana a atenção de muitas pessoas esteve voltada para Santo André, em São Paulo. O fim foi trágico: morreu uma jovem de 15 anos de idade após mais de cem horas em cárcere privado. O motivo teria sido a obsessão doentia de um ex-namorado inconformado com o fim do relacionamento amoroso e que deu cabo à vida dela.
Acompanhamos pela imprensa o desenrolar da história. Desejávamos um final típico dos filmes de antigamente em que o super-herói salvava a mocinha indefesa. Verdade que queríamos um fim sem feridos, sem mortes, com arrependimentos, mas somos tão bombardeados com finais ruins que muitos pressentiam um desfecho não agradável. A gente já se prepara para o pior. É como se nos automedicássemos com um antídoto para evitar maior sofrimento.
Mas quando nos preparamos para um sofrimento, sofremos antecipadamente, o que pode não ser bom. Exemplifico com um caso que presenciei na sala de espera de um consultório médico, onde uma paciente tinha como certo que teria que ser submetida à cirurgia. Quando ela mencionou o resultado do exame, pensei: não significa que seja caso de operação. Recolhi-me ao silêncio e reflexão. Respeitei a resignação e momentos de dor que deve ter tido até que chegasse ao ponto de "anestesia emocional". Quando saiu da sala do médico, exclamou: "Não vou precisar operar!".
Por que mencionar isso? Por que misturar ao episódio vivido em Santo André? Talvez porque eu queira dizer pra mim mesma que os finais nem sempre são tristes, que a esperança é uma bandeira que não deve deixar de ser erguida em nosso cotidiano. Ou ainda porque – quiçá ingenuamente – acredite que a nossa vida tem que ser construída por cada um de nós e que podemos dar um novo rumo pra ela, apesar do que ou de quem nos cerca.
Romper conceitos, romper com nossa apatia. Erguer a manga e mostrar nosso pulso forte, mas com serenidade e sabedoria.
(Jornal Monitor Campista, 2º Caderno, 21/10/2008)
Fátima Nascimento
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19/10/2008
08:08
Fragmentos do ser
By Fátima Nascimento

Fotografias podem ser confortantes e instigantes. Na sala de casa tenho um painel com seis imagens fotografadas por mim em Fortaleza no início do ano. Elas estão na parede esverdeada de minha sala. Esperança em quatro cantos. A questão é: por que ainda não mudei as fotos, se optei pelo painel pra ter uma rotatividade de imagens?
Talvez a resposta esteja no que indiretamente revelam. Elas me remetem ao começo, ao lugar onde dei os primeiros passos, disse as primeiras palavras, olhei as primeiras coisas e pessoas, chorei e sorri pela primeira vez. Nasci em Fortaleza, no Ceará; contudo, foram necessários mais de trinta anos para que eu retornasse ao “berço natalino”, donde saí com um ano de idade.
No painel uma imagem é especial (foto acima). Quem olha vê um lindo mar azul, uma jangada transportando turistas pra outra embarcação para um passeio náutico. Eu entraria na jangada e saveiro minutos depois, mas não imaginava que passaria noventa por cento do passeio com enorme náusea, sentindo-me entre “a vida e a morte”.
Mas se esta foto lembra um momento ruim, por que ainda está no painel? Ela me conforta e se encaixa na máxima de que “depois da tempestade vem a bonança”. Naquela ocasião eu e meu pai éramos turistas alheios ao que se passava no convés superior e ao derredor dele. Solidário, papai ficou praticamente todo o tempo ao meu lado, na parte interna da embarcação. Minha sensibilidade remeteu-me aos seus cuidados em minha tenra infância.
Quando estou alegre ou triste gosto de olhar para as fotos no painel. Gosto das lembranças que provocam. Gosto de perceber as superações. Gosto de lembrar o carinho de meu pai. Minha vida começou em Fortaleza e segue por aqui.
Vou trocar as fotos antes que o ano termine. Uma amiga quer expô-las no verão em sua academia. Fragmentos de mim que navegarão em outros mares. Imagens que remetem ao passado, presente ou ao que se deseja para o futuro. Ou tudo misturado. Depende da sensibilidade de quem vê.
* Veja foto ampliada clicando AQUI.
Fátima Nascimento
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